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Três amigos e um desejo

Dóris, Ernesto e Hildegard, em comum têm a paixão pela leitura e pela escrita. O poeta, a poetisa e uma cronista. Trocam textos, impressões sobre a vida, são balzaquianos e gostam do vento liberto batendo nas caras.

Além da literatura, o trio também compartilha desejos secretos. Hildegard gosta de ser voyeur, Dóris gosta de se exibir e Ernesto também entra na onda. Além do desejo comum à maioria dos mortais, o ménage a trois, nesse quesito especificamente Dóris é graduada.

Numa noite qualquer, numa mesa de bar, os três conversam assuntos aleatórios e de repente enveredam no assunto sexual, falam sobre suas experiências individuais e as fantasias que desejam realizar.

Hildegard naquela noite beijava Ernesto e disse que sente tesão em assistir a uma transa, Dóris disse que já fez swing e ménage e Ernesto (quase um santo), fica maravilhado e manda às favas as convenções sociais que dizem respeito à castidade feminina. Um jogo franco de perguntas e respostas sexuais, em que nenhum dos três se esquiva das jogadas.

Mesmo beijando Hildegard, uma fagulha de desejo escapa do olhar de Ernesto para Dóris e é recíproco. Ainda bem que no trio não há ciúmes ou sensação de posse, mas naquele momento não passou da troca de olhares.

Dias passam e Hildegard propõe à queima roupa que Dóris e Ernesto transem, pra ela assistir. A amiga fica reticente e não dá muita atenção ao convite; sagazmente a outra passa o número para Ernesto, que já imaginou a cena e o corpo vibrou com a ideia. Ele inicia o contato com ela e está dada a largada pra magia acontecer.

Primeiro Dóris e Ernesto conversam e se encontram, como num “test drive sexual”, pra ver se a química rola e as medidas se encaixam. Sucesso! A emenda sai melhor que o soneto e agora ambos viraram amigos coloridos.

Num final de tarde de fevereiro, sol ainda a pino, vinho frisante gelado e pouca roupa. O trio se encontra no apartamento de Hildegard, ela faz isca de peixe e a dupla leva vinhos. Uma ode a Dionísio e Baco, máscaras de carnaval, sarau erótico, poemas de Drummond, beijos ardentes. Ernesto se refestela e antes do show começar, dá um beijo demorado em Hildegard, depois pega Dóris pela cintura e a beija também. Hildegard senta na poltrona e o casal de amigos alheio aos seus gestos, se beija, língua lambe lábio, dente morde lábio. Beijos no pescoço, nuca, feromônios exalam e Dóris e Ernesto ficam molhados e intumescidos de tesão, roupas caem. Ela os surpreende, um vestido sem nada por baixo, é o suficiente para o instinto masculino prevalecer e Ernesto a conduz com firmeza para a cama. Chupa e aperta os seios, lambe os mamilos dela, que suspira de desejo e aperta o lençol nas mãos, desarruma a cama com movimentos de prazer.

Ele continua a saboreá la, desce e se afunda entre as pernas, tanto desejo que ela pede que ele vá mais devagar. Minutos passam com a sua língua atrevida explorando cada dobra e sentindo o mel e o calor de Dóris, até que ela transborde a seiva em seus lábios. Satisfeita a primeira vontade é a vez de Dóris tê lo em sua boca, sem nenhum pudor engole tudo, como se fosse a Linda Lovelace pós moderna, ela o enlouquece com suas habilidades orais, ela sabe, lambe todo, domina e gosta do que faz; rainha do beijo grego com louvor. Enquanto isso, Hildegard começa a deslizar a mão pelo próprio corpo, mordendo os lábios e enlouquecendo de tesão com os gemidos e performance dos amigos à sua frente, cruza as pernas para segurar um pouco o tesão que sente, ao encostar a mão na calcinha que já está encharcada, a outra mão no vestido tomara que caia quase descendo e deixando o seio a mostra.

O acordo entre eles é que a espectadora só assista sem que o casal interfira, como se ela não estivesse ali, como se ela os espiasse furtivamente; no entanto furtivamente, eles percebem que ela já está rendendo homenagem ao momento e o cheiro de sexo invade o ar e ambos se posicionam para que ela aprecie integralmente o espetáculo. Cada vez mais soltos e inebriados de desejo, Dóris se abre para Ernesto, em cima dele rebolando gostoso, pois aquele momento dependia disso, palavras, palavrões, gemidos e os três envolvidos no quarto, cada um no seu momento, Hildegard não geme alto porque é como se não estivesse ali, mas aprecia cada ato.

Uma relação de estar e não estar lá para os três, como se mostrar fosse um desdobramento natural das posições, ela não estava ali vendo e eles não estavam ali, com ela assistindo. A situação tornou-se natural e era o que todos queriam.

In your eyes da lânguida Day-Wilson ao fundo, prenuncia o ritmo intenso das metidas e cavalgadas dos dois. De quatro é o auge do prazer, ela se empina pra ele, que desliza facilmente dentro dela. Mete forte, mete fundo, mete tudo, gemidos indecentes e contidos porque ainda é cedo o horário; as mãos dele seguram forte a cintura, depois uma mão vai aos cabelos, do jeito que ela gosta e fica ainda mais devassa, pedindo para ele continuar metendo forte. O tesão aumenta e todos gozam, primeiro Hildegard que solta um gritinho abafado de prazer, depois quase que simultaneamente, Ernesto e Dóris, que dessa vez não medem a altura dos gemidos.

Cansados os três deitam na cama e descansam, para a segunda parte do deleite…

Por Astrovalda Junqueira

Ghost Writter, "Literateuta"
"Escrever para não enlouquecer, novo bálsamo à alma"

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