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Os discos da minha vida V

Especial Belchior

*Dedico este escrito ao meu amigo, professor e filósofo Daniel Dante. Que foi responsável por me ajudar a apreciar definitivamente a obra desse artista.

Hoje é tributo a ele, farei resenhas curtas sobre três álbuns. Todos eu conheci lá em 2009, na Unesp Marília, em formato digital. A gente sempre ouvia música, fosse pra estudar, fosse pra contemplar as obras durante as sessões. Foi o período de consolidação da minha relação musical/filosófica com ele.

Era uma vez um homem e seu tempo – 1979

Capa do disco Era uma vez um homem e seu tempo

Um dos principais discos que ouvíamos por lá e que fechou de vez a minha admiração pelo artista. Por mim, todas as canções desse álbum merecem destaque, mas sublinharei “Brasileiramente linda”, “Espacial”, “Medo de avião II” e “Pequeno perfil de um cidadão comum” .

Ahhh! estava me esquecendo de duas indispensáveis nessa lista “Comentário a respeito de John” e “Meu cordial brasileiro”, essa última muito pertinente ao contexto atual, de lutarmos contra a censura que querem institucionalizar sob forma de decretos e medidas provisórias, para supostamente mascarar o autoritarismo no Estado Democrático de Direito, além de esgarçar com a figura do brasileiro cordial, que tudo aceita sem nada reclamar.

“Tudo outra vez”, a canção do exílio moderno, em que o eu lírico deseja voltar pra sua terra natal, quer se desamarrar da cultura e língua do exílio. Dá até uma dor no coração pensar que 31 anos depois da redemocratização, estamos na iminência de outro “ame o ou deixe- o”.

Coração selvagem – 1977

Capa do disco Coração Selvagem

Mais uma enxurrada de clássicos, julgo obrigatória a audição deste álbum.

Foi lançado depois do Alucinação. Destaco a canção título deste álbum, em que Belchior descreve a paixão e os sentimentos loucos que a gente quer viver com alguém quando estamos apaixonados, independente do que possa acontecer “Meu bem! Vem viver comigo, vem correr perigo, vem morrer comigo. Talvez eu morra jovem , alguma curva no caminho, algum punhal de amor traído completará o meu destino”…

Galos noites e quintais, que fala sobre a necessidade de continuar cantando em tempos de repressão “não sou feliz mas não sou mudo, hoje eu canto muito mais…”

Todo sujo de batom“, que em síntese quer dizer que precisamos de alguém que nos deixe leve, apesar das dificuldades da vida e da política. Precisamos de outros portos seguros pra sobreviver, apesar do autoritarismo, que seja o broto… A gíria da época para crush.

Dentre tantas desse disco, destaco Paralelas, que fez sucesso inclusive na voz da cantora Vanuza. A solidão, o abandono e a vontade de desistir de tudo ainda estão presentes nesse álbum, especificamente nessa canção.

Mote e glosa – 1974

O primeiro álbum do cantor, têm algumas músicas que foram regravadas em outros álbuns, como “Todo sujo de batom, Na hora do almoço e A palo seco”. Provavelmente esse foi o primeiro álbum dele ao chegar no “sul maravilha” e isso se deduz pela música “Passeio“.

Vamos andar pelas ruas de São Paulo,

Por entre os carros de São Paulo

Meu amor vamos andar e passear,

Vamos sair pela rua da Consolação,

dormir no parque em plena quarta feita,

,

Ensinar com o domingo em nosso coração

A eletricidade desta cidade me dá vontade gritar, que apaixonado estou…

E as poesias concretistas em “Bebelo e Máquina 1 e 2″, resumindo o que era São Paulo para ele, recém chegado do Ceará.

Por Astrovalda Junqueira

Ghost Writter, "Literateuta"
"Escrever para não enlouquecer, novo bálsamo à alma"

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