28 anos depois.*BC

*O Reflexões Escritas está participando da Blogagem Coletiva, projeto de escrita promovido pelo grupo Unidos do BlogaWeb, que é uma rede social que tem por finalidade divulgar os trabalhos e conectar os blogueiros. Os blogs participantes irão escrever textos sobre um tema específico e o tema escolhido para esse mês é
A criança que eu era se orgulharia do adulto que me tornei?”

Após essa leitura, apóie nosso trabalho, visite nossos blogs! Boa leitura!

Era uma vez uma menina de 6 anos de idade, com duas tranças que separavam os cabelos ao meio, tinha os dentes de leite abertos, muito meiga, sonhadora e tímida. Brincava de fazer show, imitava as apresentadoras infantis, em especial a Xuxa e colocava na cabeça lençóis para imitar cabelos longos. Brincava como uma criança do início dos anos 90, mas não era muito rueira porque sua mãe sempre foi muito preocupada com os perigos, da porta de casa pra fora.

Uma menina de sorte e bem criada, nunca passou necessidade, seus pais criaram ela e seus irmãos com muito carinho e esforço. Praticamente uma família de comercial de margarina, unidos e maioria das vezes felizes

Arquivo pessoal

Apesar disso, ela era muito complexada, por ser tímida não era popular e na adolescência não era requisitada pelas paixões juvenis, geralmente gostava em silêncio. Por muitos anos, teve cisma com os seus cabelos crespos, nessa época ficava sempre preso, até alisou pra eles ficarem “bons” e depois cortou bem curto.

Também se importava com o que os outros pensavam dela, queria agradar a todos, ser aceita, nem que pra isso suprimisse sua individualidade.

E assim foram se passando os anos, ela aprendeu a duras penas que nem todas as pessoas são legais e sinceras, que existem pessoas ruins, pessoas que querem mais receber do que se doarem. Já traiu, foi traída, foi preterida, chorou e sofreu muito por todas essas coisas, mas saiu fortalecida, depois que percebeu que essas coisas também fazem parte da vida.

Aos 6 anos achava que aos 18 moraria sozinha, aos 18 achava que com 30 teria uma casa, um carro, estaria formada e bem sucedida. Aos 34 ainda não se formou, tem um filho, mora com os pais, pra não dizer que não tem nada, paga um carro a prestação. Podia ser melhor.

Ao se tornar balzaquiana teve fortes crises existenciais, se sentiu um fracasso completo, trabalha em algo que paga as contas mas não gosta do que faz, porém com contas e um filho, o importante é garantir um salário pra subsistir.

Teve suas ilusões destruídas pela realidade e pelas decepções, seu coração foi calcificado. Não consegue praticar alteridade e sentir empatia, pelo contrário, tem vontade de explodir as pessoas que estão ao seu ver, cada vez mais selvagens e oportunistas. Tantos são os que querem tirar vantagem do seu trabalho, que por isso ela ficou assim, não é mais qualquer história que a comove.

Sabendo que isso é muito ruim, ela tem tentado botar a vida nos eixos, resgatar em si um pouco de humanidade, para suportar o fardo do seu trabalho. Se envolve com a arte (música e escrita), com a política e isso a faz se sentir viva e seu coração trincando a pedra que o envolveu. Política e música, sempre estiveram presentes em sua vida desde a tenra idade.

Provavelmente a menina de 6 anos perdoará a mulher de 34 pelos erros que cometeu, ainda há tempo, ela não é mais jovem e o tempo começa a ficar curto, mas está botando as coisas no lugar e também entendeu que tudo o que passou era necessário para adquirir experiência e amadurecimento. Talvez a menina se orgulhe disso.

Confira os outros blogs participantes nos links abaixo

Essa blogagem coletiva foi organizada por meio da BlogaWeb – A rede social dos blogueiros e blogueiras.
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6 comentários em “28 anos depois.*BC

    1. Olha realmente não foi fácil começar a refletir sobre os erros do passado e me perdoar. Foi um processo anterior de terapia, mas ao fazer esse texto, percebi que é muito fácil ficar me cobrando e me culpando pelo que passei, mas tinha que ter sido assim. Então foi uma espécie de acerto de contas comigo mesma adulta.

      Curtido por 1 pessoa

  1. Oiê 🙂
    Poxa, acho que esse foi o texto que mais me identifiquei. 🙂 Temos a mesma idade e eu também dançava Xuxa quando criança. E sinto também que escrever é um elo entre o eu lá da infância com o eu de agora. Podemos nos perder no caminho, mas a essência está aí. Nunca é tarde, sempre é tempo de uma revolução. Que você se reencontre 💛
    Um beijo!

    Curtido por 1 pessoa

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