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A matemática do desejo

Imagem: Deposit

O reencontro é a moda e dois corpos cheios de desejo resultam na mediana de um e meio, eleve à décima potência, multiplique esse resultado por mil e chegue ao valor aproximado de quanto tesão existe em nós.

Há a probabilidade de repetirmos o resultado dessa conta? Ou tem fórmula mais precisa pra isso? Matriz? Função de xis? Determinantes? Contanto que ambos estejamos nas sentenças…

Não entendo o universo dos cálculos, meu dom é outro. Deixo esses mistérios para que os gênios dos números desvendem. Porém gosto de pensar, questionar e criar hipóteses. Nesses meus devaneios, imagino se um atuário consegue calcular o risco de querer de novo.

Qual o prêmio desse sinistro? Beijos ardentes, suas mãos desabotoando minha camisa, seu português polido em meu ouvido dizendo indecências. No conjunto dos números Reais, estamos contidos em números positivos acima de 5 dígitos, parece pouco? Multiplica por 100 que não dá resultado quebrado.

“Quebrados” ficaremos só depois de uma transa alucinante: a intimidade proporciona o encaixe, o prazer intenso e um resultado que não cabe nos caracteres da calculadora HP. Talvez a exatidão matemática não tenha a fórmula, ou, o resultado verdadeiro do cálculo de duas pessoas atraídas que se querem.

Gozar como se não houvesse amanhã é muito mais que a soma de duas pessoas com tesão, subtraídas as preocupações cotidianas. Sua língua tocando a minha pele é raiz do meu orgasmo. Minha boca sorvendo sua seiva faz esquecer que é potência e nesse instante esquecemos os números racionais. Instantes irracionais porque o que queremos é instintivo, nosso calor, você me possuindo de todos os jeitos, não dá pra mensurar a satisfação de chegarmos ao clímax, sem censuras e com as mãos entrelaçadas, apertando e pedindo de novo.

Vontade da sua exatidão deliciosa ao me tocar, que as estatísticas apontem a solução para essa equação com variável D de desejo…

Por Astrovalda Junqueira

Ghost Writter, "Literateuta"
"Escrever para não enlouquecer, novo bálsamo à alma"