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Palavras, palavras e mais palavras. Ao vento…

*Opinião puramente pessoal, baseada unicamente em minhas experiências, hoje estou triste e só quero desabafar, nada melhor que a escrita, que não fará juízo de valores sobre tudo o que sinto.

A primeira de muitas derrotas começou ontem quando os Metroviários, por desinformação e por medo, aceitaram passivamente o aumento da jornada de trabalho em 48 minutos diários e o fim do “Vale peru”.

A sensação que fica é que nadamos, morremos na praia e agora demos força para a empresa impor o que quiser nas próximas “negociações”.

Dia 28/02/2020 não vai cair a PR. A MP “se foder de verde e amarelo” já prevê que Sindicato não será mais convocado para negociações desse tipo, que as empresas podem pagar valores variados de acordo com o desempenho individual.

Resolvi brincar de dirigente sindical e já vou sair da brincadeira, existem pessoas que têm vocação política e estão lá com seriedade de quem quer mudar alguma coisa, mas existem pessoas que realmente só querem perpetuar a burocracia sindical, o atraso e manterem seus currais eleitorais, vivendo do passado (árduo) de conquistas.

Em 1988, mais de 300 Metroviários foram demitidos na greve que conquistou a jornada de 36h e que ontem foi jogada fora pelos Metroviários contemporâneos. Farinha pouca, meu pirão primeiro? Também, mas falta conhecer a nossa história. Agora não adianta chorar, mesmo que as lágrimas teimem em cair. De quem é a culpa por sermos tão omissos com nossa história de lutas e conquistas?

O pouco tempo em que estive no jogo, por vezes sórdido, me fez pensar: o que é a base que tanto falam? Não passa de massa de manobra, a base não pode pensar por si própria, não pode sugerir e nem se sublevar, base boa é base que só reproduz, trabalho de base é mera retórica.

Não são todos os dirigentes sindicais que estão no mesmo balaio, mas a maioria. É uma pena.

Logo eu uma legalista/reformista reclamando disso? Pois é, acontece. Sou legalista porém não sou burra! Diferente de setores que pagam de revolucionários e vociferam com quem é independente, eu penso. Eu sou uma pessoa, não sou um disjuntor, “pois hoje sou pessoa, essa é minha canoa eu nela embarco; eu sou pessoa e palavra pessoa hoje não soa bem” já disse Belchior há 40 anos atrás.

Eu não tenho vocação e nem estômago pra ser política, amo política. Mas ser agente política realmente não dá pra mim e com o ocorrido ontem, sinto uma sensação de fracasso, de me sentir usada, da pior forma, por pedir pras pessoas manterem a mobilização e o que ganhamos afinal? Houve situações dentro da corrente que integrei que foram extremamente hostis a quem pensa diferente e isso também me afetou…

Acho que quem morreu teve sorte, não assistirá a legitimação do Estado de exceção, nem o fim dos direitos dos trabalhadores. Paguem impostos, recebam migalhas e aceitem tudo isso calados dando graças a Deus! Talvez a estratégia do Sindicato dos Metroviários não tenha sido tão errada nesse contexto tão cruel com quem trabalha e gera a riqueza desse país…

O AI-5 de ontem é a GLO de hoje. Assistimos atônitos, inebriados à história se repetindo em nossa frente.

Qual o sentido da luta? Lutar pra quem e porque? Se as pessoas pouco se importam com o que fazemos? Vale a pena perder tempo, emprego e até a vida por pessoas vis? Não sei o que dizer, não existem respostas…

Hoje eu acordei triste e sem vontade de lutar, às vezes eu queria ser alienada, vibrar com a novela e não sofrer tanto com tudo isso que está acontecendo, às vezes eu queria estar morta, ainda bem que não, o meu filho me ajuda a seguir, se ele não existisse, talvez eu já tivesse expirado…

Por Astrovalda Junqueira

Ghost Writter, "Literateuta"
"Escrever para não enlouquecer, novo bálsamo à alma"