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Sabor de paixão

Gosto de paixões impossíveis e inalcançáveis porque me fazem escapar da realidade, fico numa zona de conforto em que o sofrimento é algo quase racional e administrável.

Amo sozinha e penso o que quero, fantasio situações que nunca ocorrerão e me sinto feliz com isso. É o meu casulo me protegendo da dureza da realidade, dos amores errados. Sou hors-concours nessa modalidade de não ser correspondida.

Por isso resolvi amar assim, o inatingível me atrai e por isso o coloco numa redoma. Quando estou na iminência de me apaixonar na realidade recorro à paixão inatingível, que arrefece a primeira. Por muito tempo amei um homem dessa forma.

Anos depois e os mistérios da vida fizeram a gente se encontrar. Viemos do mesmo lugar, ponto de partida da minha paixão anterior.

Eu não esperava nada e por acaso te conheci, foi tão bom que o tornei minha paixão platônica. Nossos encontros casuais e divertidos, uma paixão nova que substituiu a velha.

É uma loucura, porém é tão bom gostar de você dessa forma. Uma série de barreiras (inclusive geográficas) nos impedem de viver uma história a dois e talvez seja melhor assim, pois ficará o seu melhor em mim.

Há muito tempo não conhecia um homem culto, com o qual posso ficar horas gastando meu léxico, fazendo deduções intelectuais, falando de literatura e sendo plenamente compreendida por tudo isso: uma companhia agradável em todos os sentidos, além de cheiroso e ótimo amante…

Me apaixonar por você não impede que a gente se encontre de novo e repita doces momentos. O prazer é todo nosso e a paixão é minha, só minha, meu segredo; o que me faz sonhar de olhos abertos antes de dormir…

Por Astrovalda Junqueira

Ghost Writter, "Literateuta"
"Escrever para não enlouquecer, novo bálsamo à alma"