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Mulheres, unidas iremos mais longe!

O ano é 2020: podemos votar, usar calças compridas, ter cabelos curtos, ter nossa independência financeira, porém ainda existe uma forte opressão sobre nós; nosso jeito de pensar, como nos colocamos no mundo e até sobre a autonomia dos nossos corpos.

Além de casos nefastos de mulheres que perdem a vida ou são agredidas, pelos simples fato de serem mulheres, por terminarem relacionamentos na maioria dos casos.

A violência contra a mulher resume isso e ela acontece de diversas formas. Certamente já vivemos, algumas vivem ou viverão uma situação violenta. 

Não podemos naturalizar coisas que existem há milhares de anos, como se fossem leis da natureza. O Patriarcalismo é a causa dessas práticas: quando o homem subjuga a mulher em todos os aspectos e principalmente quando a trata como coisa, propriedade do marido/namorado, “senhora sobrenome do companheiro”, tudo isso dá margem para a violência física e/ou psicológica e a violência simbólica.

Esta última se manifesta de maneira “sutil”, demora para ser percebida como tal. Às vezes as pessoas reproduzem atos ou palavras machistas, sem se dar conta, porque está estruturada e enraizada na sociedade.

Temos que estar atentas para não repetir tais atos e para perceber situações em que a violência simbólica nos afeta, vejamos alguns exemplos:

  • Quando dizem que as mulheres naturalmente competem entre si: A não ser que seja um torneio, isso é falso!  Foi criada uma cultura para facilitar a dominação patriarcal e inibir a união feminina numa rede de solidariedade e desenvolvimento mútuo.
  • Quantas vezes, em nosso trabalho e na vida, somos avaliadas por homens para que nosso conhecimento seja validado? Em alguns momentos nos manifestamos sobre algo e algum amigo, parente ou o parceiro explica para gente exatamente o que falamos antes para os outros. Como se a fala dele nos credibilizasse. Existe a mesma postura se forem homens explicando algo? 
  • Quantas vezes fomos interrompidas durante nossa exposição de ideias, numa mesa com conhecidos ou apresentando algum trabalho? Existe a mesma conduta quando é um homem fazendo o mesmo?
  • A maioria de nós foi criada para ser contida, recatada, “se dando ao respeito” pois não é educado a mulher ser o que é. Aos poucos se contesta isso, quando falamos que o nosso lugar é onde queremos estar, mesmo assim alguns insistem em nos tratar como “seres desprovidos de saber ou credibilidade”.

Ser feminista é ser feminina, uma coisa complementa a outra!

O Feminismo em síntese, é defesa da autonomia da mulher em suas escolhas, sejam quais forem. Depilar ou não depilar, sem ficar sofrendo por causa disso por conta da opinião alheia, se quer casar e ter filhos ou não e etc. Não somos seres humanos de segunda classe! Queremos o mesmo direito de escolher que os homens têm, sem questionamentos adicionais. Essa é a igualdade que defendemos!

A luta feminista é para combater todas as formas de violência e discriminação, pela equiparação de salários entre homens e mulheres. Garantir empregos às mães, somente as mães desempregadas sabem o que passam em entrevistas de emprego e a discriminação contida em perguntas sobre as atividades maternais e não sobre as competências exigidas para o cargo. 

Aumento da licença paternidade e o conceito de que o pai não ajuda, ele também é responsável pela criação, construção de creches próximas ao trabalho, salas de amamentação nos locais de trabalho. Tudo isso faz parte da dignidade da pessoa humana.

Década de 20 do século 21: 100 anos depois as lutas permanecem as mesmas.

Sabendo disso, temos que nos unir contra a onda de retrocessos que nos afeta agora.

Houve aumento de 44 % de casos de feminicídio e de notificação de estupros em 2019, no estado de São Paulo. 

97% das mulheres relatam que sofreram assédio no transporte público, um número inaceitável! 

Maior o número de denúncias e da quantidade de casos, este último incentivado por uma política nacional regressiva, em todos os aspectos.

O governo Bolsonaro nos levou de volta ao século 14 ou 15 quando “investiu” em desinformação e abstinência sexual, para resolver todos os problemas de saúde reprodutiva e planejamento familiar; quando nomeou uma ministra que defende a submissão feminina à vontade dos homens; quando zerou verbas para políticas de proteção à Mulher, deixando a vítima de violência doméstica ou sexual aos cuidados do Acaso. Uma afronta à nossa Constituição, à lei Maria da Penha e Lei de importunação sexual.

Somos mulheres e merecemos respeito! Não podemos tolerar pessoas que supostamente são as autoridades máximas do país nos ofendendo, referindo-se a nós como fraquejadas, julgando-nos por nossa “beleza ou falta dela” e defendendo que devemos ganhar menos porque engravidamos. 

Somos 51,7% da população brasileira (PNAD – IBGE 2018), contribuímos com o desenvolvimento deste país através da nossa força de trabalho, pagamos impostos e ainda não somos representadas à altura da nossa contribuição, nas políticas públicas e nem temos a voz ativa que merecemos nas empresas e na política.

Mas isso pode mudar quando nos unirmos em defesa dos nossos interesses e direitos.

Desperte mulher! A força também está contigo!

Por Astrovalda Junqueira

Ghost Writter, "Literateuta"
"Escrever para não enlouquecer, novo bálsamo à alma"

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