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No olho do furacão

A Terra é redonda!

São Paulo, março de 2020.

Dia 6 da quarentena.

Por alguns instantes me senti personagem de Não verás país nenhum, de Ignácio de Loyola Brandão. O engarrafamento interminável foi substituído pelo isolamento compulsório, ocasionado por um vírus altamente contagioso e que as pessoas têm que ficar em casa. Caso saiam às ruas serão infectadas ou presas.

No começo não imaginei que esse Corona vírus era tão catastrófico, cheguei a duvidar disso e errei miseravelmente. Notei que até a instituição que funciona em todas as outras situações do país parou, a Fábrica de Memes. Brasileiro sempre fez piada da própria derrota mas desta vez chegou ao limite.

Aos poucos as fichas caem e a pequena burguesia amassa suas Tramontinas nas varandas dos apartamentos, descobriram o fogo, a roda e que elegeram um mentecapto megalomaníaco sociopata, o indevido no Alvorada. Tomara que não seja tarde demais…

Na periferia o silêncio ecoa, as causas podem ser: a ficha não caiu ainda, ou é falta de panela afinal é um item muito caro pra ficar amassando à toa. Outra hipótese factível é de que essa forma de protesto, no Brasil, é característica da classe média pequeno burguesa. Os mesmos que hoje batem panelas anti-chorume, votaram nele em 2018 e bateram as panelas em 2014, 2015 e 2016 contra o PT.

Particularmente sinto vergonha alheia desse jeito de protestar, como esquerdista acho inadequado nos apropriarmos desse expediente, mesmo na quarentena. O Corona impôs reclusão social, devemos protestar em casa e por isso temos a obrigação de pensar em meios decentes para isso. Panelaço no Brasil é caricato, estigma assim como a camisa amarela da CBF.

No 5° dia da quarentena as pessoas se revelam. Algumas se solidarizam e ajudam de alguma forma, outras tiram a máscara e mostram o que há de pior em si: por exemplo, Alexandre, o pequeno do Giraffas, Roberto Injustus e Durski, o Madero do Caixão defendem o lucro acima da vida e esta sentença deveria ser invertida. Até a minha (ex) depiladora, que não é ninguém na fila do pão, mostrou a sua verdadeira face por trás de um rostinho bonito à base de tratamentos estéticos. A podridão dessas pessoas para com as outras permanecerá até que alguém próximo a elas seja atingido pela praga.

Não sou perfeita, ao contrário, sou errante, por vezes desejei que o tumor fosse extirpado do planeta; no entanto essa pandemia me fez perceber que ainda há resquício de humanidade em mim.

Em paralelo a minha mãe reza, procura explicação bíblica para o momento. De fato parece mesmo o Apocalipse que os crentes falam, entretanto, acho que eles nos trouxeram a isso depois de tantas teorias conspiratórias, algumas bem elaboradas. Também penso que na época da peste, da gripe espanhola e da II guerra eles repetiram que era o fim dos tempos, nenhuma profecia do fim se cumpriu até agora.

Os espiritualistas crêem numa batalha entre os seres de luz versus seres das trevas, que a vida inteligente intervirá na Terra e nos salvará, depois da tormenta haverá a bonança…

Enquanto isso os cientistas pesquisam, de acordo com as evidências, a vacina e cura pra humanidade.

“Só sei que nada sei”. Lavo as minhas mãos, a toda hora. Elas já estão ressecadas e eu estou de saco cheio disso.

Por Astrovalda Junqueira

Ghost Writter, "Literateuta"
"Escrever para não enlouquecer, novo bálsamo à alma"

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