Categorias
escreva na quarentena Sem categoria

¡Feliz cumpleaños!

São Paulo, Abril de 2020.

Dia 28 da quarentena.

Viva como se não houvesse amanhã!

Aproveite cada dia como se fosse o último da sua vida!”

Em tempos de pandemia,essas afirmações são extremamente verdadeiras. Comemorar meu aniversário nestas circunstâncias é emblemático, uma espécie de renascimento, ou simplesmente, sobreviver em tempos hostis.

Sou uma agente histórica. Virei o século e um milênio! Nem meu filho terá essa possibilidade. Sou do tempo em que existiam vagalumes no meu bairro, brinquei de mãe da rua, esconde-esconde à noite ao som dos grilos pra dar mais emoção, tive o microfone da Xuxa, ganhei uma bicicleta Ceci Caloi vermelha. Meu pai me levou no Mappin pra comprar!

Vivenciei uma formidável mutação tecnológica; ganhei LPs, gravei músicas do rádio nas fitas BASF Ferro extra 90 (as fitas de cromo não prestavam, quebravam muito e tinham que ser de 90 minutos, pois abaixo disso, muitas vezes a fita acabava no meio da gravação), colecionei CDs, tive um microsistem autoreverse, depois um MP3 de 1gb, o último grito da tecnologia. Baixei arquivo errado no emule e kazaa, uma semana baixando a música e ao abrir era um pornozão! Entrava na internet discada à meia noite, esbarrei com uns tipos estranhos no ICQ, tremi a tela no finado MSN, tive Orkut e chateei muito no bate papo UOL.

Também fiz curso de informática com certificado, no começo dos anos 2000 era a datilografia hi-tech.

E hoje completo 35 anos, quanta coisa se passou… Revendo e passando a limpo o meu passado, nessa época de incertezas gosto de ver fotos antigas e relembrar momentos que vivi para confortar minhas angústias.

E agora, estou vivendo in locu uma peste e no Brasil, a Idade média, com tudo que obscurantismo pode não nos oferecer.

Hoje eu decidi, “não quero nem saber quem envernizou a barata!” Vou beber como se fosse o último dia da minha existência. Fodam-se os boletos e a fatura do cartão de crédito que não irei pagar o mês que vem! Vou comprar a minha gin tônica porque eu mereço! O governo do estado de São Paulo não satisfeito em cortar o nosso salário, também caloteou nossa participação nos lucros e nosso décimo terceiro. A minha cota de sacrifício para as finanças da nação eu já dei.

Vou fumar meu beck, tomar bons drinks e cantar no karaokê, como se não houvesse amanhã. Teremos amanhã? O plano hoje é sobreviver a esta loucura. Depois que acabar o pandemônio eu vejo o que faço, primeiro preciso estar viva.

Sempre comemorei bastante, às vezes duas, três vezes, gosto de aniversário. Esse ano tinha planejado uma festa de arromba, com feijuca, a lista de convidados feita e num passe de mágica, os planos viraram papéis voando com o vento.

A vida é um presente efêmero.

Apesar de todos os sofrimentos, ainda estou feliz por estar aqui. Se eu sobreviver a esse tempo, irei fazer uma festa digna de mim, com muita comida, muita bebida e karaokê ao vivo!

Sobre comemorar o meu aniversário em pleno pandemônio, vou citar um verso de um samba-enredo “hoje vou tomar um porre, não me socorre que eu tô feliz!”

Por Astrovalda Junqueira

Ghost Writter, "Literateuta"
"Escrever para não enlouquecer, novo bálsamo à alma"

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s