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escreva na quarentena política

Fragmentos de memórias juvenis II

São Paulo, Abril de 2020.

Dia 33 da Quarentena.

O bolsohitler tá com Corona vírus. Não consegue parar de tossir e já contaminou todo mundo que está ao seu lado.

Esse lixo tóxico ainda é o presidente do Brasil, infelizmente!

Sua cartada final é instigar a guerra civil, para justificar um autogolpe e se aboletar no poder indefinidamente.

Ou a gente quebra os oligarcas ou nós seremos quebrados. Não enxergo outra saída que não seja a da ruptura. A História nos mostra isso, sistemas só foram derrubados com revoltas e violência, infelizmente, a flor na arma é inócua.

Embora o meu professor diga que não exista, acredito que a sina brasileira também é ocasionada pela Lei do Retorno, por toda exploração que foi promovida nesse chão. Quanto sofrimento e sangue inocente foi e ainda é derramado aqui?

Ultimamente tenho evitado acompanhar as notícias, estou cansada, hoje, quase 35 dias confinada senti certa saudade de sair. Só não sinto falta do meu trabalho.

O que me entristece é que por ser do grupo de risco e com o ritmo de contaminação alucinante esses dias, sou obrigada a ficar em casa. Queria ir pra rua descer a porrada em bolsominion fascista. Com fascistas o único diálogo existente é a barra de ferro.

Essa é a minha nota de repúdio a tudo isso aí!

Parte 2: O Sistema

“Aqui meu irmão é cada um por si. Mesmo se sei não sei, se sei digo não vi” Cada um por si – Sistema Negro

Quando eu era adolescente ouvia Rap e não entendia o que era o tal do Sistema que eles tanto falam nas músicas. Eu só dizia que ninguém estava fora do Sistema, nem quem é marginalizado.

Claro que a minha visão naquela época era simplória e por não entender o que eles queriam dizer, eu desprezava a influência do Sistema na vida das pessoas retratadas nas letras.

Anos depois e algum estudo me fizeram compreender o que é o tal Sistema tão mencionado, nada mais é que o capitalismo. O que depreendo das letras do Rap é que o capitalismo aparece, não como causa de todos os males e sim como mais um no conjunto.

O Sistema nesse caso é algo maior, na visão empírica de quem vive isso na pele. Podemos dizer que O Sistema assim posto é o Estado e ele é composto por ações coordenadas de opressão das periferias, espécies de microssistemas: o Sistema Racista, o Sistema de repressão policial e o Sistema de omissão do Estado nesses locais, saneamento básico inexistente, déficit educacional, falta de planejamento urbano e etc.

Tudo isso somado se torna um sistema único, que existe além da vontade das pessoas: O Sistema/Estado.

Para um cientista social e um militante é óbvio enxergar o capetalismo pernicioso nessas ações e que ele é a causa direta de todas as coisas listadas acima. Os rappers estão certos, eles traduziram o pensamento acadêmico para vivência diária de quem passa por isso.

Quanto aos “excluídos” do Sistema, continuo pensando que eles não estão excluídos completamente. Os marginalizados e os desalentados são convenientes para O Sistema, pois, se submetem a condições degradantes de trabalho e sobrevivência para terem o mínimo de dignidade. Como Marx nomeou, eles são o exército de reserva.

O presente explica o meu passado, de como eu fui criada numa bolha, não fiquei 100% isenta de sofrer os males do Sistema em minha vida, acredito que a meritocracia é o aspecto que mais me afeta até hoje.

Talvez o que eu queira dizer aqui, é que a gente que faz parte da classe mérdia acha que não sofre as consequências da divisão de classes e da má distribuição de renda. Essa quarentena me provou o que eu já sabia teoricamente, a classe média não existe se não trabalha, somos todos massa, andamos na corda bamba a todo momento, nossa casa boa, plano de saúde, nossa viagem parcelada em 10 vezes são um castelo de cartas, vêm o desemprego e a recessão e derruba tudo.

Bem vinda à realidade, classe C!

Por Astrovalda Junqueira

Ghost Writter, "Literateuta"
"Escrever para não enlouquecer, novo bálsamo à alma"

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