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+18 escreva na quarentena

Pensamentos lascivos

São Paulo, Abril de 2020.

Dia 35 da quarentena.

Enquanto o país derrete lá fora num golpismo complicado e com milhares de mortos pelo Corona, me protejo do medo de sair na rua compilando músicas, fotos e recordações de todos os tipos e fico em casa.

Desejos do passado, presente e futuro dão vazão aos diversos tipos de pensamentos, inclusive os lascivos, que se fundem e se projetam em um homem só, a cada momento um diferente, de acordo com a minha vontade.

No Passado Argentum; ainda sinto saudade foi um amor marcante, nunca mais repetirei da mesma forma, no entanto, é uma lembrança cada vez mais nublada. No presente quase passando, o Matemático e as delícias do seu amor tranquilo. No presente quase futuro o Violeiro, aquele que perturbou o meu sossego quarentênico.

O Violeiro é minha paixão platônica do momento, surgiu na quarentena, jeito calmo, voz macia, beleza madura, sorriso envolvente. Fico pensando se vc irá fazer do meu corpo seu instrumento, quando a quarentena acabar?

Como se ele fosse as cordas da sua viola e você as dedilhasse, faça acordes e pestanas incríveis, elevando a escala do meu tesão em duas ou três oitavas. Pelo gosto da novidade, foi o único homem capaz de me fazer pensar sobre meu isolamento, me deu até vontade de fugir de tudo e sentí-lo imediatamente dentro de mim.

Não consigo parar de pensar nesse seu sorriso, na sua voz cantando delícias em meu ouvido e ainda assim para isso acontecer, tenho que te conquistar lentamente… A quarentena é um jeito bem peculiar de conhecer alguém e de conquistar também, é o encontro não abreviado pelo desejo carnal. Neste momento o corpo se guardará e no tempo certo desfrutará das glórias.

A minha mente, que não se restringe aos retângulos, voa pra bem longe e chega onde você está. Olhares cálidos e beijos ardentes, esse calor nos consome, até respiramos fundo pra recuperar o fôlego, porém, mais uma vez é o ar que alimenta o fogo e todo o desejo contido em nós transborda. Nossas mãos deslizam, subindo e descendo nossas roupas.

Encostados na parede, depois deitados no sofá, seus lábios macios me tocam e eu vibro como as cordas da viola. Até você encostar nos meus seios e depois descer entre as minhas pernas, cunnilingus de um jeito fantástico que faz transbordar minha seiva em sua boca, me deixa melada. E a minha boca também fica cheia d’água, ávida por fazer o mesmo contigo, descubro seu corpo com meus lábios e língua, fellatio e te sinto entregue quase jorrando em mim, gostoso…

Me leva pra cama e me põe de quatro: mete devagar, me faz sentir cada centímetro seu me penetrando. Nos olhamos nos olhos através do espelho e peço pra você meter fundo e forte e você faz, bem gostoso, safado. Gemo e falo diversas coisas enquanto me come deliciosamente. Parece quieto, tem jeito de quieto, só parece…

Cavalgamos sem pressa de chegar até o meio da noite e gozamos, numa explosão de desejos contidos, depois tanto tempo…

Depois de tudo, nos contemplamos abraçados, nos beijamos, me encosto em seu peito e durmo sentindo o seu cheiro. Acordo pensando que o meu desejo deve se tornar realidade. Logo.

Por Astrovalda Junqueira

Ghost Writter, "Literateuta"
"Escrever para não enlouquecer, novo bálsamo à alma"

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