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A gente colhe o que planta

São Paulo Maio de 2020.

Dia 57 da Quarentena.

This is Fine – KC Green

Será que sou uma pessoa tão horrível, por não sentir pena de quem negou a pandemia e morreu de Coronavírus?

Por ficar irritada com essas pessoas que defendem apaixonadamente o fim do isolamento social e deliberadamente se aglomeram, depois ficam doentes e ocupam o tempo dos profissionais da saúde e os leitos de hospitais? Sendo que esses poderiam ser usados por quem realmente precisa?

Dizem que precisamos ser empáticos, que devemos dar a outra face, porém já somos esmurrados nos dois lados da cara ultimamente. Está realmente muito difícil se colocar no lugar de quem não se importou com os outros.

Será que por considerar racionalmente esses fatores, sou uma pessoa má?

Será que existem pessoas que estão como eu? Cheias de dúvidas e alguma culpa por não sentirem nada?

Não rio do infortúnio alheio, não sou sádica e nem genocida. No entanto essas mortes não me comovem, sinto indiferença pelos negacionistas que sucumbem ao que negaram. Dos familiares que ficam e sofrem a dor da perda irreparável e não podem velar quem morreu, sinto leve pena.

A pandemia despertou um turbilhão de sentimentos bons e ruins em cada um de nós. Acredito que no Brasil, esses sentimentos aumentam, além de enfrentarmos o inimigo invisível Coronavírus, sofremos com a ausência de um governo central, que ampare a força que gera as riquezas do país. A União faliu.

*Nem o ministro da doença foi capaz de suportar a interferência e os desvarios, acabou de se demitir, menos de um mês depois. Tenta salvar sua biografia antes que respingue mais sangue de inocentes…

Paliativamente estados e municípios tentam fazer alguma coisa, alguns mais que outros e assim caminhamos, desembestados, num ziguezague no declive, na estrada noturna que não tem túnel e nem luz.

Os negacionistas negam a obviedade dos fatos. Vão queimar a mão no fogo para provar o contrário, vão sair de casa sem casaco no dia frio pra provar que frio é psicológico. As consequências não previstas por eles são as mãos queimadas e um resfriado.

Assim é com o Coronavírus.

Existem dois ditos populares que gosto muito e podem ilustrar o momento que vivemos “quem semeia vento, colhe tempestade” e “a semeadura é voluntária, mas a colheita é obrigatória”.

Isso vale para o nosso sofrimento como um todo. Da humanidade que mais extraiu e destruiu as coisas da Natureza, a reação é o câncer causado pela poluição, pelos alimentos envenenados por pesticidas e os agentes microbiológicos que circulam livremente nos ares, por causa do desmatamento e causam doenças desconhecidas, etc.

No Brasil, o voto inconsciente e inconsequente, que perpetua as mazelas sociais ao invés representar os nossos anseios. Negar as evidências e eleger um genocida, xenófobo, patrimonialista, óbvio que daria errado, principalmente pra nós que estamos nos estratos mais baixos da pirâmide.

Além de valer para as consequências individuais, ou de grupos isolados.

Somos responsáveis pelo nosso destino, mas o ambiente também reage à nossa interferência nele. Sair de casa e viver esse momento como se nada estivesse acontecendo é responsabilidade de quem escolheu isso, a contaminação será uma consequência provável e válida.

Podem até negar a Lei do Retorno, mas, ela se cumpre independente da vontade humana.

Por Astrovalda Junqueira

Ghost Writter, "Literateuta"
"Escrever para não enlouquecer, novo bálsamo à alma"

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