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Um filme de terror

Hoje está passando um filme de terror, dura um ano inteiro o filme de terror…

Sérgio Sampaio

Em 1968 nasceu a Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô.

Em 1974 começou a andar, pequenos passos, do Jabaquara à Vila Mariana.

Nós anos 80, como uma adolescente, cresceu e se desenvolveu, se tornou jovem andando por vários lados da cidade e assim seguiu até a primeira metade dos anos 90.

Dos anos 2000 em diante, no auge da sua consolidação como transporte em massa e essencial na mobilidade urbana; chegam uns “gestores” e falam que ela já está obsoleta, que é preciso dividir o bolo e assim abrir mão do que já construiu e do que poderá construir.

Começam a diminuir seus vôos, menos verba para contratações, funcionários saindo, aposentando e as admissões ficam abaixo do necessário. Conforme passam os anos, estações que tinham 8, 10 funcionários, agora tem 4, 3, em cada turno.

Imagine só 3 funcionários para 1000 passageiros, por hora. 333 para cada um, 5,5 por minuto, é muita gente!

Como se estivesse interditada, diminuem investimentos na sua manutenção preventiva, chamam isso de custos. Os últimos 5 anos têm sido em queda livre. Daqui a pouco, os programas que falam da manutenção noturna no Metrô serão meros arquivos de 2,3,5 anos atrás…

As pessoas sentem um misto de raiva e de pena por suas falhas constantes, um desatino no tempo. Entretanto, ainda a consideram por tudo que fez, ainda mantém seu status de empresa confiável, com alto índice de satisfação de quem a utiliza: mais pelos funcionários que a operam e menos por quem deveria orientá-la.

Essa história de déficits e “desinvestimentos” constantes, cedo ou tarde, daria muito errado.

E o auge dessa decadência ocorreu justo no dia em que os paulistas comemoram a revolução que perderam.

Na primeira meia hora de 09/07 uma fumaça preta na galeria da estação Brigadeiro, fumaça densa e visível na Paulista. Com isso invade o túnel e o funcionário da estação, o único escalado para trabalhar aquela noite, tem que agir sozinho num código X.

O que fazer? Pensa, respira, porque está sozinho numa situação de emergência, OK, chama o CCO, aciona o código X e tem que conter o foco do incêndio e esvaziar a estação, o último trem da comercial vai alinhar, “preciso evacuar o trem!” Chegam os funcionários da manutenção pra mais um serviço intinerante da noite. Ufa! Minutos depois, chega uma dupla de seguranças. Vivas! Uma correria, pra organizar tudo, pras pessoas saírem do trem, “vamos ter que explicar o incêndio e pedimos desculpas pelo transtorno, por você não pegar o último ônibus pra sua casa”. Um soco, um óculos quebrado, “salvo sua vida e como agradecimento levo um soco e um salário com cortes?”

A missão do Metrô é transportar cada vez mais longe. O que na prática não é apenas usar o “know-how” prestando consultorias, também é na operação das linhas pelo Metrô público, estatal e que precisa voltar a ser de qualidade.

É necessário reerguê-la e é obrigação do governo do Estado socorrê-la durante essa dificuldade temporal. Atualmente é impossível não deslocar recursos de supersalários para pagar quem trabalha no front, investindo novamente na empresa.

Senão essas situações tétricas continuarão a existir. O saldo dessa cena, foi um óculos quebrado, escoriações e desgaste emocional ao trabalhador da estação Brigadeiro e aos que ajudaram. O que mais os homens querem? Que custe outra vida?

No conforto da sua poltrona, localizada na Quinta do Romero, o “jestor” sorri e diz que não foi nada, deixa tudo como está, pra ver como é que fica…

Por Astrovalda Junqueira

Ghost Writter, "Literateuta"
"Escrever para não enlouquecer, novo bálsamo à alma"

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