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escreva na quarentena política

Eleições no pântano

São Paulo, Novembro de 2020

Dia 240 da Duzentena

E lá se vão oito meses em reclusão domiciliar.

Além disso hoje é dia de eleição pra prefeito e vereador e feriado pela proclamação da República.

O Brasil República foi fundado sob grande ironia: através de um golpe militar. O desejo de imitar a Europa (em especial a França) era idealizado pela burguesia. A rês pública brasileira não era tão pública assim e a maioria foi pega de surpresa com a mudança pro sistema presidencialista.

Burguesia e milicos sempre de mãos dadas, interferindo no destino do país desde 1889. Passando por 1930, depois 1946, em seguida 1964 e por fim 2016…

E a maioria população sempre foi alijada de construir os processos participativos. Nunca elegemos o que queremos e quando chega a hora, somos obrigados a dar voto útil pra escolher o menos pior.

Eu penso que isso mais a obrigatoriedade do voto faz as pessoas chutarem o balde e escolherem qualquer um. Mamãe falei, Tiririca, Joice Hasselman, o lixo tóxico que infecta o Planalto, Dudu 2cm, são alguns exemplos dessas escolhas descuidadas…

Sob os escombros democráticos que um dia esse país pensou ter estamos indo votar outra vez. Mais pra extirpar os tumores que ocupam os espaços de poder, menos pelo senso cívico do sufrágio universal.

Retrocedemos em tudo e com o processo eleitoral não foi diferente: em 2020 tem bang bang, voto censitário e voto de cabresto. A diferença de 1920 para agora é a urna eletrônica.

Pra mim desde 2014 têm sido um suplício votar. Votei na Dilma sem convicção, por ser a opção menos pior daquele momento.

Em 2016, pós golpe, me sentindo enganada e insatisfeita com as opções eu anulei, nenhum candidato me apetecia.

Em 2018 votei contra o lixo imundo, mas, meu esforço não foi suficiente e ainda sinto no corpo as consequências desse processo eleitoral desgraçado! Nunca mais fui feliz e estou doente de Brasil.

Depois do golpe de 2016 com supremo, com tudo, tenho certeza de que o processo eleitoral brasileiro é jogo de cartas marcadas. Porque se a gente fosse escolher quem queria mesmo, a burguesia e os milicos fariam tapetão de novo.

E agora em pleno ano pandêmico vou obrigada votar. Tenho cada vez menos vontade de sair da minha casa pra isso.

Não vou votar por entusiasmo com o projeto, mas não posso deixar políticos oportunistas de baixíssima qualidade irem pro segundo turno, com o primeiro colocado tão pilantra quanto eles.

Apesar do desânimo ainda analiso muito meu voto, essa é a minha diferença em relação ao senso comum. Pra me fazer sair de casa tem que valer o sacrifício!

Os otimistas dizem que esse ano o bozonazismo será varrido das casas legislativas e executivas. Projeções baseadas em pesquisas e evidências de que os tocados pelo lixo, após esse contato, caem em desgraça.

Que assim seja!

Como cética que sou não espero que algo mude pra melhor. Chega a ser engraçada essa minha contradição interna: sempre amei a Política, mas, sinto enorme desgosto dos rumos que ela tomou, principalmente nos últimos quatro anos.

O fato é que mesmo que algo mude, os candidatos sensatos terão muito trabalho pra consertar o estrago que os antecessores (aventureiros políticos) fizeram.

Por Astrovalda Junqueira

Ghost Writter, "Literateuta"
"Escrever para não enlouquecer, novo bálsamo à alma"

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