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Crônica viajante

No alto da serra, estrelas sobre minha cabeça.

Sob o nevoeiro da manhã, as faixas da estrada. O sol iluminava os pastos, os canaviais e meus pensamentos.

Rio vivo e límpido.

Viajar é preciso!

Em cada quilômetro percorrido, deixo pra trás as coisas que não quero.

Deixo parte de mim e levo comigo um pedaço do lugar em que estive.

Cheiro de viagem, poeira da estrada. Trecho. Impregnada na sola do meu sapato e também em meu coração.

Comida de vó, sotaque retroflexo marcante, “te e de” bem pronunciados, boa noiTE! Bons-dias de desconhecidos e eu caipira urbana, nessa hora me escondo tentando ser invisível.

De onde sou, quanto menos me mostro melhor.

A relação da pessoa interiorana com o tempo é diferente da minha. Na selva de pedra o relógio é companheiro do deslocamento. Observe as lanchonetes, praticamente todas têm relógios que podem ser lidos pelas janelas do busão, ou no passo a caminho do trabalho, da escola e outros compromissos.

A paranóia do relógio, introjetada no inconsciente, aparece ao reparar em pequenos atos: ajeitar o celular calmamente, dentro do carro, em frente à bomba do posto de gasolina, depois do abastecimento, sem se preocupar com a fila. Isso é suficiente pra me acelerar e acho que demoramos demais naquele instante. Não, não tinha fila! Criei cenários caóticos na mente em questão de segundos.

Sai do carro, deixa a chave no contato e o vidro aberto por alguns segundos. Meu desespero cosmopolita grita e tomo uma atitude. Riem da minha cara! Relaxa que você está no interior, cidade pequena! Os cachorros se conhecem por aqui!



Viajar é a oportunidade de ser antropóloga. Observar costumes, sotaques, hábitos da população local; viver menos como turista e exercitar a alteridade. Fazer uma viagem também pra dentro de si, uma via dupla: conhecer outros lugares para conhecer a si mesmo.

A hora do almoço, por exemplo, diz muito sobre os hábitos locais.

A cultura do VR no interior não é grande. Como os deslocamentos são curtos, é muito comum as pessoas almoçarem em casa e almoçam cedo. O rush é às onze da manhã. 12h30 já é tarde. Na megalópole, o início do fim é a partir das duas e almoçar em casa, se não é no home office, é quimera.

Viajar é o melhor remédio!

Minha alma está impregnada das sensações viajantes. Ouço todas as músicas que Sá e Guarabyra compuseram sobre o tema e me emociono, “planta raízes da terra de onde veio e tira vida nova do chão! Volta pra estrada pra ver o que ainda não viu.”

Vivo num looping enquanto volto aos braços do caos. Recordando as sensações de lá, comparando com meu estilo de vida daqui. E como grande parte dos viajantes, sinto muita vontade de morar onde acabei de conhecer.

Viagem boa é aquela, em que o coração aperta na hora de partir, mas, com a alegria de saber que um dia vai voltar!

Por Astrovalda Junqueira

Ghost Writter, "Literateuta"
"Escrever para não enlouquecer, novo bálsamo à alma"

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