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Tristeza Afegã

Quais serão os obrigados a suportarem o terror dos Talibãs? Os miseráveis, as meninas e todos aqueles que não poderão fugir pelo aeroporto, porque são pobres demais ou moram longe demais das rotas de fuga.

Cenas de desespero que jamais poderei medir, de pessoas que se conseguissem, fugiriam agarradas às asas das aeronaves.

Cabul, de repente a sua sonoridade onomatopéica traz a hecatombe do atraso e do fundamentalismo religioso, desabando no centro da capital afegã outra vez.

Mulheres jornalistas, correspondentes internacionais, disfarçarão a câmera num botão de uma burca e captarão o medo, a miséria e a devastação; consequências da fé cega e faça amolada.

A religião é atraso ao Estado!

Não acredito que foi a autodeterminação dos povos que permitiu o regresso do atraso. De fato, será que o povo afegão pôde se autodeterminar nas últimas décadas?

Imperialismo e fundamentalismo. No meio desses ismos, centenas de milhares de afegãos e afegãs que vivem no fogo cruzado e que pouco experimentaram o sabor de liberdade (assistida) dos últimos anos.

Sinto profunda tristeza pela massa oprimida. Que um dia tenha força pra se levantar e combater todo o mal que a aflige…

E de certa forma penso em meu país e me entristeço. O fundamentalismo religioso se funda onde o Estado é ausente. Com o tempo é natural achar que a bíblia é mais importante que a Constituição, que tudo pode ser explicado pela vontade de algum ser divino que determinou, por exemplo, que a folha da árvore só cai mediante sua autorização.

Nas câmaras e assembléias legislativas do país temos vários “sacerdotes” que defendem o obscurantismo e a confusão. Partidos ligados diretamente às igrejas, muitas delas neopentecostais. Há muitos anos as relações da religião e Estado brasileiro persistem, agora o comando troca de mãos. No século passado eram os bispos e padres, agora são os missionários e pastores.

Ao longo dos anos essa bancada fundamentalista se aloja nas casas de poder e tem crescido exponencialmente. Pode ser um risco em questão de anos, nos tornarmos semelhantes aos afegãos, se medidas não forem tomadas em favor da liberdade de pensamento e existência.

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/08/16/entenda-a-guerra-no-afeganistao.ghtml

Por Astrovalda Junqueira

Ghost Writter, "Literateuta"
"Escrever para não enlouquecer, novo bálsamo à alma"

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