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A mãe na praia não tem um minuto de paz

Uma historieta que aconteceu quando fui pra praia com o meu filho neste ano.

Leblon Beach

Fomos ao Rio de Janeiro no mês de janeiro (bam dum tssss!) e visitamos as praias mais famosas. Uma delas foi a praia do Leblon.

Enquanto a da Barra e a de Ipanema tinham um perfil mesclado: o morro e o asfalto dividindo a mesma areia, a do Leblon tem um perfil bem enjoado. Tênis e frescobol na areia, corpos definidos e as sinhás correndo no calçadão com suas mucamas atrás carregando carrinhos de bebê.

O ar bem blasé, típico de uma novela do Manoel Carlos.

Ainda bem que a paisagem natural valia a vista, a Pedra da Gávea, as águas esverdeadas e não muito violentas, porém fundas mesmo próximo da areia.

Botei a adiposidade pra dourar ao sol e o meu filho foi brincar na água, aquela recomendação de marcar o guarda sol como referência e não se afastar dali em hipótese nenhuma!

Giro de um lado pro outro como um frango no forno e a todo minuto de olho na água. Tudo OK. O meu bebê crescido sob minha vista e então achei de boa fechar os olhos por alguns minutos e aproveitar o lindo dia de sol e calor para bronzear a palidez paulistana.

Mas como o título já adianta, uma mãe não tem descanso, muito menos na praia!

O pentelho sumiu da minha vista e comecei a me desesperar. Naquela indecisão momentânea entre deixar a bolsa desprotegida e procurar pelo menino, mandei às favas a preocupação com a carteira e fui procurá-lo.

Ativei o modo mãe suburbana da zona leste e comecei a me esgoelar gritando o nome dele, fiquei uns cinco minutos naquela agonia. A correnteza o afastou pelo menos uns 150 metros à direita do nosso ponto inicial!

E o pré aborrecente estava bem de boa na água quando o encontrei, enquanto eu gritava e acenava pra ele se aproximar de onde estávamos, ele vagarosamente atendia aos meus sinais, fazia com a mão o sinal de negativo pedindo pra eu não gritar seu nome.

Sabem como é essa fase da pré aborrecência, tudo é mico, ele chegou ao nosso guarda sol e já saiu da água.

E ainda ficou bravo comigo! Só porque agi como uma “pobre gritando seu nome naquela praia chique” e estava morrendo de vergonha, queria ir embora dali por causa do ocorrido.

Depois de algum tempo fomos embora, porque o sol estava mais baixo e enquanto ele tentava argumentar sobre a vergonha que passou eu dizia que poderia estar na praia mais chique do mundo, que se ele sumisse da minha vista de novo eu ia agir exatamente do mesmo jeito.

Moral da história: toda mãe que ama sua cria tem uma “suburbana” oculta dentro de si, que sempre será despertada na hora do desespero, seja em Mongaguá, seja no Leblon.

Por Astrovalda Junqueira

Ghost Writter, "Literateuta"
"Escrever para não enlouquecer, novo bálsamo à alma"

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