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Fadiga existencial

Engulo sapos com lágrimas e assim evito morrer asfixiada.

Mas tenho morrido por dentro todos os dias. Não tenho mais esperança, não sinto mais prazer em fazer absolutamente nada.

Vivo como um ser autômato.

A raiva é apenas interna, por fora é só fadiga e inércia.

Cada dia mais entendo a escolha dos suicidas: não penso em me matar, mas entendo que eles não querem morrer, eles querem matar a dor que os aflige e isso, às vezes, só é possível indo embora desta existência.

Será que algum dia seremos alegres de novo?

Tá todo mundo cansado; eu estou exausta. Milhões desempregados e outros frustrados com o trabalho de merda que exercem…

A vida adulta tem sido passar raiva e pagar boletos, num círculo vicioso. Pra amortecer os males do capitalismo a sociedade vive à base de antidepressivos e outras drogas.

Falta comida, consciência e união da classe trabalhadora. Também falta amor e alento para as subjetividades humanas.

Noticias ruins em loop infinito, é tanto aborrecimento acontecendo simultaneamente que a gente acaba cansando: a bateria se esgota, a raiva se internaliza e só nos resta lamentar muito nas redes sociais…

E não existe nenhuma esperança de que algo vá melhorar em curto prazo, estamos presos numa cela gigante de grades invisíveis.

Será que algum dia derrubaremos essa barreira e teremos momentos de felicidade?

Não é “falta de Deus no coração”, tudo isso que passamos é consequência do livre arbítrio da humanidade: causa e consequência.

O pior é que alguns acham que é a “mão de Deus pesando sobre nós”; a verdade é que a Providência Divina está muito ocupada com coisas que realmente são da sua alçada, Ela não pode ser responsabilizada pelas más escolhas de uma espécie supostamente dotada de racionalidade e que deveria dar conta de suas decisões.

É muito cômodo usar as divindades como justificativas pelas vilezas cometidas. O sofrimento que estamos vivendo foi infligido de humanos sobre humanos e não por uma suposta vontade divina, se assim fosse já teria chegado o meteoro.

Que não seria nada mal se viesse e acabasse com tudo de uma vez só…

Por Astrovalda Junqueira

Ghost Writter, "Literateuta"
"Escrever para não enlouquecer, novo bálsamo à alma"

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