O Indesejado

A visita que ninguém quer receber, pior que menstruação que desce às vésperas do encontro.

Aquele que quando senta à mesa, todos levantam. Ou se alguém come com ele, nega até o final.

Para estar ao seu lado, vê lo falar é necessário tomar um Plasil, sua abjeção é nauseante.

Já perceberam que não pega bem colar ao lado dele, é perda de capital político, é procurar chifre na cabeça de cavalo.

Ele fede e o seu fedor é imoral. Enganou os incautos e os desavisados e agora só o apoiam em sã consciência, aqueles que são tão abjetos quanto ele.

Foi renegado na terra do faroeste, na cidade cosmopolita do mundo, recebeu uma premiação às avessas de pior político. E nem o Trump, cuja a sola do sapato ele lambe, lhe dá assistência ou credibilidade.

Brontossauro, bronco, rude, ignorante, primitivo no trato com os outros. Tantos predicados negativos e ainda assim infelizmente é o atual presidente do Brasil.

Nem pra idiota útil presta!

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Super mães!

Fosse eu rei do mundo
Baixava uma lei:
Mãe não morre nunca
Mãe ficará sempre
Junto de seu filho
E ele, velho embora
Será pequenino
Feito grão de milho

Carlos Drummond de Andrade – Para sempre

Dia das mães são todos os dias, hoje é uma data pra coroar e refletir sobre isso. Queria escrever versos, mas como não consigo rimar, deixarei em prosa uma pequena homenagem.

Às mães como a minha, que trabalham em casa, um trabalho sem fim e infelizmente não reconhecido como deve.

Às mães como eu, que trabalham fora e às vezes sentem culpa disso e não acompanham o crescimento dos filhos como gostariam.

Às mães abnegadas e às mães que mesclam papel de mãe e de mulher

Ser mãe não é fácil, não é romântico como dizem e tem muita angústia e cobrança interna “será que estamos fazendo o possível pra sustentar nossos filhos? Será que estamos educando direito? Será que estamos fazendo o impossível pra defender nossos bebês pequenos e crescidos?”. A cada fase é uma dúvida e preocupação diferente.

A verdade é que ter um filho nos faz repensar nossos princípios e de que forma vamos transmiti los, torná los pessoas melhores que nós, criando para o mundo ao mesmo tempo que os preparamos para transformá-lo.

Existe de fato, a marcação de tempo antes e depois de ser mãe. Além de nunca mais ser sozinha, ter um filho é motivação real para realizar seus objetivos, ao menos comigo é assim acredito que com a maioria das mães também.

A sociedade nos cobra o papel de super mãe, muitas vezes sentimos vontade de desistir de tudo, sair correndo, por não suprir essas expectativas, mas quando vemos que apesar dessas cobranças e limitações os nossos filhos nos consideram super mães, que encontram em nós o porto seguro; nossa ansiedade é arrefecida e percebemos que estamos no caminho certo.

Feliz dia das mães! Parabéns a todas as heroínas de seus filhos!

Meu filho desenhou para mim, me representando assim ♥️

2019 – arquivo pessoal

Panteão dos músicos irá fazer uma recepção a Beth Carvalho, com participação de Belchior

Ontem 30/04/2019, sentindo-se relativamente incompleto e talvez maçado pela tranquilidade eterna, no panteão dos filósofos. Belchior requereu junto à Providência Divina, a presença de mais um artista pra fazer um som por lá.

Eis que a Providência fez uma análise e julgou adequada a reivindicação. Por isso, na mesma data da partida de Belchior, também levou a cantora Beth Carvalho.

Cada um tem o seu panteão, no caso de Beth, ela irá para o dos músicos, onde será recebida com festa e na roda de samba de lá estarão Almir Guineto, Cartola, Dona Ivone Lara, Clara Nunes, Clementina de Jesus, João Nogueira e outros mais.

Belchior já disse que quer participar dessa roda, parece vai se transformar num sarau. Ele está avaliando se irá fazer um dueto com Beth em Andança, ou, se irá recitar alguma poesia.

João Nogueira, Da. Ivone Lara, Clara Nunes, Zé Rodrix, Beth Carvalho e Belchior, são algumas presenças confirmadas no evento

Elis Regina e Zé Rodrix também passarão por lá. O Zé já disse que quer tocar reco reco e também quer fazer um batuque na garrafa, está negociando com Elis a possibilidade dela cantar com ele o xamego da nega, “possivelmente irá acontecer o dueto” ela diz.

“Essa festa é a oportunidade de integração dos panteões, filosofia e arte são mãe e filha. Às vezes os filósofos se perdem nas divagações, como eles têm todo o tempo, ficam dissertando a respeito de assuntos caro aos que ainda estão na Terra” conta um organizador dos panteões.

E ele completa “o pessoal está bem animado, estão organizando uma baita festa!”. Especula se que irão participar também Drummond e Carolina Maria de Jesus, pra ler poesias, ainda é incerta a presença dos dois nesse evento. Sabotage já confirmou que vai fazer uma rima.

“Não tem hora pra acabar, afinal pra que pressa não é verdade?” Gargalha João Nogueira. “Se de repente fizer uns barulhos de trovão aí embaixo, não nos levem a mal, é porque a gente vai arrastar as mesas e cadeiras aqui e a gente vai se empolgar muito quando sambar”.

A gente aqui não vai levar a mal. Recebam bem a Beth!

Os discos da minha vida V

Especial Belchior

*Dedico este escrito ao meu amigo, professor e filósofo Daniel Dante. Que foi responsável por me ajudar a apreciar definitivamente, a obra desse artista.

Hoje é tributo a ele, farei resenhas curtas sobre três álbuns. Todos eu conheci lá em 2009, na Unesp Marília, em formato digital. A gente sempre ouvia música, fosse pra estudar, fosse pra contemplar as obras durante as sessões. Foi o período de consolidação da minha relação musical/filosófica com ele.

Era uma vez um homem e seu tempo – 1979

Capa do disco Era uma vez um homem e seu tempo

Um dos principais discos que ouvíamos por lá e que fechou de vez a minha admiração pelo artista. Por mim, todas as canções desse álbum merecem destaque, mas sublinharei “Brasileiramente linda”, “Espacial”, “Medo de avião II”, “Pequeno perfil de um cidadão comum” “Espacial”.

Ahhh! estava me esquecendo de duas indispensáveis nessa lista “Comentário a respeito de John” e “Meu cordial brasileiro”, essa última muito pertinente ao contexto atual, de lutarmos contra a censura que querem institucionalizar sob formas de decretos e medidas provisórias, para supostamente mascarar o autoritarismo em Estado Democrático de Direito, além de esgarçar com a figura do brasileiro cordial, que tudo aceita sem nada reclamar.

“Tudo outra vez”, a canção do exílio moderno, em que o eu lírico deseja voltar pra sua terra natal, quer se desamarrar da cultura e língua do exílio. Dá até uma dor no coração pensar que 31 anos depois da redemocratização, estamos na iminência de outro “ame o ou deixe- o”.

Coração selvagem – 1977

Capa do disco Coração Selvagem

Mais uma enxurrada de clássicos, julgo obrigatória a audição deste álbum. Foi lançado depois do Alucinação. Destaco a canção título do álbum, em que Belchior descreve a paixão, os sentimentos loucos que a gente quer viver com alguém quando estamos apaixonados, independente do que possa acontecer “Meu bem! Vem viver comigo, vem correr perigo, vem correr comigo. Talvez eu morra jovem , alguma curva no caminho, algum punhal de amor traído completará o meu destino”…

Galos noites e quintais, que fala sobre a necessidade de continuar cantando em tempos de repressão “não sou feliz mas não sou mudo, hoje eu canto muito mais..”.

Todo sujo de batom“, que em síntese quer dizer, que precisamos de alguém que nos deixe leve apesar das dificuldades e censuras, precisamos de outros portos seguros pra continuar a sobreviver apesar do autoritarismo, que seja um broto… A gíria da época pra crush.

Dentre tantas desse disco destaco também as Paralelas, que foi gravada inclusive pela cantora Danuza. A solidão e abandono, e a vontade de desistir de tudo, ainda estão presentes nesse álbum, especificamente nessa canção.

Mote e glosa – 1974

O primeiro álbum do cantor, têm algumas músicas que foram regravadas em outros álbuns, como “todo sujo de batom, hora do almoço e a palo seco”.Possivelmente esse foi o primeiro álbum dele ao chegar no “sul maravilha”e isso se deduz na música “passeio

Vamos andar pelas ruas de São Paulo,
por entre os carros de São Paulo
meu amor vamos andar e passear
vamos sair pela rua da Consolação
dormir no parque em plena quarta feita
ensinar com o domingo em nosso coração

A eletricidade desta cidade me dá vontade gritar, que apaixonado estou…

E as poesias concretistas em “Bebelo e Máquina 1 e 2″, resumindo o que era São Paulo para ele, recém chegado do sertão do Ceará.

Meu segundo encontro (ou o medo de avião II)

… Não foi a força bruta da beleza

Nem o vigor cruel da mocidade

E sim dois animais em paz com a natureza

E sim dois corpos, objetos, sensuais contra a lei da gravidade.

Nós nem pensamos na felicidade…

Medo de avião II – Belchior, Gilberto Gil

Anos depois daquele show, o meu “segundo encontro” com o Belchior foi nas ondas do rádio, no dial de uma emissora que tocava as clássicas da MPB; a rádio ainda existe e aumentou a sua audiência ao tocar músicas de qualidade questionável. Crítica a parte, na programação daquele período, tocavam sempre os artistas que hoje não ondeiam pela FM. E Belchior foi desses.

Com sua voz lânguida, descreve o desejo realizado de transar num avião, com a aeromoça! As bebidas, o flerte, a coragem, a surpresa e o ato consumado.

Essa segunda versão da “Medo de avião foi composta com Gilberto Gil e saiu no disco de 1979 – Era uma vez um homem e o seu tempo”. Ambos compuseram letra, melodia. Os arranjos cadenciados complementam e a descrição do sexo não se resume a objetividade do ato e nem usa de vocabulário explícito para demonstrar suas intenções. Dialeticamente sutil e direta, objetiva e subjetiva.

O programador percebeu isso e então a música sempre tocava lá. Eu estava entrando na juventude e gostei de ouví la, foi a época em que comecei a apurar meu gosto musical ao conhecer sons diferentes do meu lugar comum. Antes consumia só do mainstream, no máximo um techno da época que os clubbers apanhavam dos skatistas, coitados.

Inspirada por essas mudanças, até queimei um CD com essa canção na playlist, quem tem mais de 25 sabe que não é tacar fogo no disquinho…

E foi assim o início da história de envolvimento musical e depois filosófico com a obra de Belchior e que se consolidou com o álbum Alucinação, clique no nome do álbum e conheça a minha impressão sobre essa obra.

Minha primeira vez com Belchior

Montagem, pois não há fotos do evento. Imagens da internet

Calma gente! Aqui falo sobre a primeira e única vez em que estive no mesmo lugar que o Belchior.

Em 2000 eu tinha 15 anos, estudava numa escola estadual e era perto do shopping Penha, naquele tempo havia um festival de música, o Vitrine MPB. Uma vez por semana iam diversos artistas: Jorge Ben Jor, Moraes Moreira, Adriana Calcanhotto, e etc, foram alguns dos que cantaram lá.

Tinha duas amigas de escola, a Isadora e a Rachel, os pais delas iriam ver o show do Belchior nesse festival. Como estudávamos perto, geralmente íamos ao shopping, de quebra víamos uns shows. Nesse dia especificamente conhecemos uns moleques na escola e fomos ficar com eles lá.

Naquela época eu era fã de Raimundos, só conhecia isso e achava o supra-sumo da música; do Belchior só sabia da Medo de avião e apenas o refrão, que era cantado de um jeito bem jocoso. Eu ainda era uma “selvagem musical” e por isso não prestei atenção no show e nem sabia da relevância dele pra MPB.

Naquela operação disfarça para os pais não perceberem, ficamos uns minutos esperando ele entrar no palco. Não me lembro mais quanto tempo levou pra isso, mas quando entrou, vi aquele homem alto, com seu bigode característico e alguns fios de cabelos brancos. Apesar do pouco que fiquei ali, me lembro de tê lo observado porque mesmo não sendo fã, eu gostava de ver como era um artista ao vivo. Coisas de adolescente…

Enfim, demos o perdido nos pais e fomos ficar com os moleques. Era melhor ter visto o show, o meu ficante era um tonto, chato e eu depois me perguntava “como pude?” A Isadora também não teve sorte com o dela, acho que só a Rachel que se deu bem aquele dia. O Belchior indiretamente foi razão e cúmplice dessa aventura juvenil.

Muitos anos se passaram e nunca mais tive a oportunidade de vê lo ao vivo de novo, ele começou a se afastar dos palcos, tanto que até a Globo iniciou aquela caçada de mal gosto sobre o paradeiro dele. Se me arrependo de não ter visto o show? Não, porque não o conhecia naquela época, mas se eu pudesse voltar no tempo, eu daria uma bota no moleque mala e pelo menos umas três músicas eu teria ouvido. O festival não teve outras edições, pra quem viu, foi a oportunidade de ter assistido aos melhores shows na faixa; dificilmente farão algo assim hoje.

Especial dois anos sem Belchior

Hoje faz dois anos que Belchior nos deixou, foi para o panteão dos filósofos.
Compunha com maestria e produziu grandes canções da música brasileira como Paralelas, Divina comédia humana, Como nossos pais, por exemplo e etc.

De forma a homenagear a memória desse magnífico artista, hoje ao longo do dia, publicarei textos relacionados a ele e sua obra. Se ainda não conhece, vale a pena conhecer. E se já conhece, deixe comentário compartilhando suas experiências.

Espero que gostem e boa leitura!