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Estadão, Chega! Não é hora pra aventuras em SP!

Nunca fui fã do Boulos.

Até que tive a oportunidade de falar com ele, em especial sobre o meu bairro, que é periférico e não tem opções de lazer aqui, não tem praça, é dominado por igreja e por político oportunista, que pinta e borda com a despolitização de quem mora aqui.

Quando ele me respondeu sobre o orçamento participativo e audiências públicas, para que os moradores apontem as melhorias necessárias para o bairro, achei uma proposta factível. Ele falou com propriedade e segurança de quem sabe o que fala, não fugiu da pergunta e nem desviou o olhar, falou diretamente comigo.

Aí ele ganhou a minha simpatia.

Ele tem projeto de cidade, diferente do Bruno Covas, que está enterrando SP.

Quem mora aqui sabe que a cidade está largada às traças.

E o paulistano sofrido com a aventura mal sucedida de Dória escroque e o imundo do Planalto, resolveu fazer um voto de confiança em um novo projeto: consistente, realizável e realista.
Por isso o Boulos cresce nas pesquisas na mesma proporção em que o Covas cai.

Por isso o Estadão, numa tacada de desespero publicou um editorial porco, baixo nível.
Com menos profissionalismo do que a Gazeta do povo e O Antagonista, por exemplo.
Pois dessas publicações sabemos o seu espectro ideológico, seu público alvo e eles não se pretendem imparciais.

Não concordo nem um pouco com o que dizem, mas não fico surpresa afinal, sempre assumiram ser o que são.

Diferente do Estadão, que finge informar, finge bancar o imparcial e no desespero pra acabar o jogo dá chutão pra bola ir pra fora.
Faz campanha descarada para o Covas, fingindo fazer editorial.

É simplesmente vergonhoso e lamentável, usar da sua posição centenária e grande tiragem pra fazer campanha eleitoral disfarçada.

Se o Estadão assumisse sua parcialidade, como jornal auxiliar do PSDB seria muito mais honesto. Porque em terra de fake news, as pessoas que querem uma informação de qualidade acabam lendo esse jornal, sua circulação centenária enverniza sua imagem e aparenta credibilidade.

Não podemos mais cair nessa conversa! Cabe a nós, pessoas de senso crítico, desmascararmos essa farsa de jornalismo imparcial.

– O jornal nasceu em 1875 para atender a sociedade paulista reacionária, que anunciava escravo fugido. O escravo era visto coisa e não pessoa e o movimento abolicionista era arruaça aventureira.

– O jornal que escancarou sua preferência ao tucanato em 2010, com o pseudo editorial em que declarou apoio à candidatura de Serra, contra o “mal a evitar“.

Não deu certo, Serra perdeu.

-Em 2018 achou uma escolha muito difícil, optar pela manutenção do Estado Democrático de Direito ou escolher o nazifascismo.

Hoje sofremos a consequência dessa suposta escolha difícil e até esse jornal reconheceu que o desgoverno federal é horrível. Não presta nem pra atender aos interesses do baronato que financia a publicação e financiou a campanha do néscio em 2018.

“Mas eles não aprendem!”
Na verdade não é questão de aprendizagem, é questão de posicionamento político.

Na marra, o jornalismo praticado pelo Estadão teve que aceitar que é preciso dar voz ao povo e atender às suas necessidades de vez em quando. Afinal de contas estamos no século XXI e não pega bem um jornal defender valores retrógrados em público.

Por mais que queiram, ninguém mais volta pro armário, nem pra senzala e nem pra submissão.

Mas de vez em quando, o retrocesso dá as caras em publicações disfarçadas de editoriais.

E como o projeto psdbista está fadado ao fracasso, reduzem esperanças e um projeto alternativo à simples aventuras.

Como se o oportunismo e o alpinismo político do PSDB não fossem aventuras (perigosíssimas). É um partido sem nenhum compromisso com os votos que consegue, com os paulistanos em geral e que claramente usa a maior cidade da América Latina como trampolim politico.
Com Serra e Dória Escroque foi assim. Por quê com o Covas seria diferente?

Falando em aventureiros do PSDB, Bruno Covas herdou a prefeitura, quem não o conhece de antes da sua triste doença, acha que ele sempre foi um doce de pessoa, de fala mansa. Entretanto, os munícipes já descobriram sua violência cometida sutilmente, porém de consequências devastadoras:

Esses são os principais feitos da sua “gestão”.

E a sua sede de poder é tão grande que não teve nem a decência de se retirar da disputa eleitoral pra tratar do seu câncer. Na certeza de que será curado, pois ele se trata no Sírio Libanês e não no SUS, que ele sucateia com a privatização e falta de investimentos.

Se fosse um jornal do PSDB publicando o editorial não causaria espanto.

Definitivamente, o Estadão não é um jornal imparcial e menos ainda é um jornal sério.

É muito feito fingir ser o que não é.

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Eleições no pântano

São Paulo, Novembro de 2020

Dia 240 da Duzentena

E lá se vão oito meses em reclusão domiciliar.

Além disso hoje é dia de eleição pra prefeito e vereador e feriado pela proclamação da República.

O Brasil República foi fundado sob grande ironia: através de um golpe militar. O desejo de imitar a Europa (em especial a França) era idealizado pela burguesia. A rês pública brasileira não era tão pública assim e a maioria foi pega de surpresa, com a mudança pro sistema presidencialista.

Burguesia e milicos sempre de mãos dadas, interferindo no destino do país desde 1889. Passando por 1930, depois 1946, em seguida 1964 e por fim 2016…

E a maioria população sempre foi alijada de construir os processos participativos. Nunca elegemos o que queremos e quando chega a hora, somos obrigados a dar voto útil pra escolher o menos pior.

Eu penso que isso mais a obrigatoriedade do voto faz as pessoas chutarem o balde e escolherem qualquer um. Mamãe falei, Tiririca, Joice Hasselman, o lixo tóxico que infecta o Planalto, Dudu 2cm, são alguns exemplos dessas escolhas descuidadas…

Sob os escombros democráticos que um dia esse país pensou ter, estamos indo votar outra vez. Mais pra extirpar os tumores que ocupam os espaços de poder, menos pelo senso cívico do sufrágio universal.

Retrocedemos em tudo e com o processo eleitoral não foi diferente: em 2020 tem bang bang, voto censitário e voto de cabresto. A diferença de 1920 para agora é a urna eletrônica.

Pra mim, desde 2014 têm sido um suplício votar. Votei na Dilma sem convicção, por ser a opção menos pior daquele momento.

Em 2016, pós golpe, me sentindo enganada e insatisfeita com as opções eu anulei, nenhum candidato me apetecia.

Em 2018 votei contra o lixo imundo, mas, meu esforço não foi suficiente e ainda sinto no corpo as consequências desse processo eleitoral desgraçado! Nunca mais fui feliz e estou doente de Brasil.

Depois do golpe de 2016 com supremo e com tudo, tenho certeza de que o processo eleitoral brasileiro é jogo de cartas marcadas. Porque se a gente fosse escolher quem queria mesmo, a burguesia e os milicos fariam tapetão de novo.

E agora em pleno ano pandêmico vou obrigada votar, tenho cada vez menos vontade de sair da minha casa pra isso.

Não vou votar por entusiasmo com o projeto, mas não posso deixar políticos oportunistas de baixíssima qualidade irem pro segundo turno, com primeiro colocado, tão pilantra quanto eles.

Apesar do desânimo, eu ainda analiso muito meu voto, essa é a minha diferença pro senso comum. Pra me fazer sair de casa tem que valer o sacrifício.

Os otimistas dizem que esse ano o bozonazismo será varrido das casas legislativas e executivas. Projeções baseadas em pesquisas e evidências de que os tocados pelo lixo, após esse contato, caem em desgraça.

Que assim seja!

Como cética que sou, não espero que algo mude pra melhor. Chega a ser engraçada essa minha contradição interna: sempre amei a Política, mas, sinto enorme desgosto dos rumos que ela tomou, principalmente nos últimos quatro anos.

O fato é que mesmo que algo mude, os candidatos sensatos terão muito trabalho pra consertar o estrago que os antecessores, aventureiros políticos fizeram.

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