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A vida é um presente efêmero!

É uma vela acesa, que qualquer vento pode apagar…

Ultimamente há muita tristeza pairando no ar, dias feios, frios e cinzentos.

Muitas mortes e tragédias assombram os brasileiros, com intensidade aumentada nos últimos 3 anos. Nem a atmosfera festiva, característica dos dias de final de ano, existe mais.

Ontem a Marília Mendonça morreu e eu que nem acompanhava sua carreira musical, sequer era fã do estilo que ela cantava, fiquei estarrecida ao saber da sua passagem. Uma morte trágica, que interrompeu tantos planos pela frente… 26 anos e um bebê que mal pôde ficar com a mãe, isso é de cortar o coração de qualquer um que tenha sentimentos.

Esse fato me fez pensar (ainda mais) que é preciso viver intensamente, pois cada dia pode ser o último da nossa existência. Não passar vontades: de falar ou de fazer alguma coisa, em contraponto aos planejamentos de médio e longo prazo e às teorias estratégicas de calcular cada ação e cada risco como se fôssemos imortais, ou, como se fôssemos morrer só depois de muito velhos com certeza.

Agora estamos aqui, cinco minutos depois pode ser uma incógnita. Para morrer basta estar vivo, realmente…

Como eu disse antes, não gosto do estilo musical que ela cantava, mas não dá pra passar incólume a ele porque toca na maioria dos lugares. Toca tanto que algum refrão fica na memória.

E por falar em memória, vou contar uma que aconteceu comigo e se encaixa no molde da sofrência que ela cantava.

Chorando na quitanda

Acho que era 2016, estava saindo com um cara há uns 3 meses intensamente, mesma faixa etária, era separado, com filhos e tínhamos objetivos em comum, parecia ser o homem da minha vida.

De repente o indivíduo sumiu, a luz vermelha acendeu e a minha intuição disse que algo errado não estava certo, comecei a cobrá-lo da verdade sobre o sumiço e pressionado ele me revelou que reatou o relacionamento anterior.

Fiquei muito triste e revoltada também, porque ele não teve consideração de terminar comigo antes e preferiu agir como um Zé Ruela dando perdido.

O detalhe é que essa cobrança de explicações foi feita via WhatsApp e eu estava na quitanda perto de casa, fazendo a feira. Enquanto escolhia o tomate, conversávamos de maneira exaltada, a trilha sonora da quitanda era Marília Mendonça.

Foi a primeira vez que ouvi a música dela: no começo achei estranhas aquelas letras, porém eram músicas perfeitas pra curtir a cornitude, tomar um porre e arrastar o chifre no chão.

Esse contexto tornava o término ainda mais trágico e enquanto escolhia o limão, tinha que me segurar pra não chorar convulsivamente. Laranjas com sabor de lágrimas, escolhendo a batata e enxugando o rosto, mas a vontade era de chorar aos soluços. Se eu soubesse que era música da Rainha da Sofrência eu teria mandando às favas a compostura e tinha chorando aos cântaros na quitanda e convidado a operadora do caixa pra tomar umas comigo e chorar junto.


Hoje essa história tem até um toque cômico, mas na época foi bem traumática e coincidentemente foi no início do sucesso da Marília Mendonça, em todos os lugares tocava a música dela e era inevitável lembrar do indivíduo. Sua música foi a trilha sonora perfeita para ilustrar o fim do meu relacionamento na época, eis a magia da arte!

De alguma forma ela fez parte de um momento da minha vida, ajudou a dar vazão à minha fossa e assim foi com milhares de pessoas que também afogaram suas mágoas sob o seu som.

Que ela siga em paz, livre de toda a dor e sofrimento.

Por Astrovalda Junqueira

Ghost Writter, "Literateuta"
"Escrever para não enlouquecer, novo bálsamo à alma"

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